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sábado, 3 de setembro de 2011

Bairro do Recife se torna área livre para o tráfico de drogas

Após denúncias mostrando o comércio e o consumo livre, SDS decide reforçar o policiamento nas ruas do bairro
Da Redação do pe360graus.com
Reprodução / TV Globo
Foto: Reprodução / TV Globo
O Bairro do Recife vive hoje como uma zona livre para a atuação do tráfico de drogas. A equipe de reportagem da Globo Nordeste revelou que na rua da Moeda, um dos pontos turísticos do bairro, crianças, adolescentes e adultos convivem livremente com o consumo irrestrito e com a violência. Nem mesmo as câmeras instaladas pela Secretaria de Defesa Social inibem a atuação dos criminosos e consumidores.

A denúncia do Jornal Nacional, nesta sexta-feira (02), mostrou o lado triste desse recanto da cidade. No bairro histórico e turístico do Recife flagrantes feitos durante um mês mostravam o consumo e o tráfico de drogas acontecendo sem medo. 

O cigarro de maconha passando de mão em mão, o loló, um entorpecente alucinógeno, sendo comercializado no meio da rua. A reportagem mostrou também traficantes que conferiam o lucro e entregavam o dinheiro a uma mulher.

E os traficantes são também os que assaltam os consumidores. Uma das cenas registra um casal que ia comprar droga e acabou sendo vítima de um grupo deles. Outro rapaz reagiu ao assalto e o bando se juntou para um ataque onde cadeiras e garrafas foram arremessadas.

Após a exibição da matéria no Jornal Nacional, a Globo Nordeste voltou ainda na noite da sexta-feira aos mesmos locais e percebeu que houve um reforço no policiamento da área. A polícia estava presente de forma ostensiva, além de fazer rondas com carros e motos. 

O policiamento incluiu também abordagens diretas para que fossem feitas revistas e não demorou para que os policiais prendessem dois homens, que foram levados. Com eles foram encontrados dois frascos de adoçantes cheios de loló. 

Numa das calçadas, a mesma mulher, que apareceu no Jornal Nacional recebendo dinheiro do tráfico, estava sentada num banquinho, com celular na mão e bem tranquila, como se nada estivesse acontecendo.

A Polícia Civil informou que serão instaladas mais câmeras na área. “As câmeras não são suficientes. Há mais de um mês pedimos sugestões para as delegacias, justamente para a gente identificar quais eram os pontos críticos. Inclusive a rua da Moeda foi contemplada. Nós temos duas câmeras e vamos precisar de mais duas”, afirma a delegada Silvana Léllis.

“A gente também está tentando pegar o policiamento ostensivo e, junto com a inteligência, as câmeras, para tentar formar esse laço e inibir o tráfico na localidade”, disse o coronel Paulo Cabral, comandante de Policiamento da Capital.

O consumo de drogas no local é tão grave que um dos bares tem um grande cartaz na parede com um pedido inusitado: "Não usar drogas aqui." 

Os bares da rua da Moeda e ruas vizinhas são os responsáveis pela animação nesta parte da cidade nas noites de sextas e sábados. Quem frequenta o local para se divertir sabe que somente com mais segurança o lugar vai continuar sendo uma atração do Recife Antigo. 

"Poderia fazer um núcleo de policiamento aqui no Bairro do Recife, que não tem. Eu frequento o lugar há pelo menos dez anos e nunca vi policiamento ostensivo aqui no bairro", relatou o músico Vinícius de Albuquerque.

A equipe de reportagem da Globo Nordeste ficou no local 22h e 0h. Quem estava nas calçadas, não escondia que, além do problema das drogas, também tinha medo dos assaltos. "Dá medo porque a gente já soube de histórias de assalto. Chegam abordando com faca. Está acontecendo muito ultimamente estas coisas. Eu nunca fui, mas eu soube de muitas histórias de quem foi assaltado", contou a estudante Priscila Falcão.

http://pe360graus.globo.com/noticias/cidades/drogas/2011/09/03/NWS,538361,4,655,NOTICIAS,766-BAIRRO-RECIFE-TORNA-AREA-LIVRE-TRAFICO-DROGAS.aspx

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em debate sobre crack, Beltrame pede soluções para usuários do RJ


Secretário afirma que combate ao entorpecente não se esgota na polícia.

Seminário discute nesta terça (24) novas medidas contra a droga.

Thamine LetaDo G1 RJ
Beltrame (Foto: Thamine Leta/G1)Beltrame participou da abertura do debate sobre
crack no Rio (Foto: Thamine Leta/G1)
O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o combate ao crack no estado não depende apenas da polícia, e pediu que outras instituições apresentem soluções de continuidade para o problema. O secretário participa nesta terça (24) de um seminário, no Centro do Rio, que discute novas medidas de combate ao crack.
“Não podemos ficar discutindo eternamente. Há necessidade de medidas concretas e objetivas para combater o crack. Não adianta ficar discutindo por muito tempo enquanto existem pessoas doentes. O atendimento a essas pessoas não se esgota na polícia, e também depende de outras instituições. Precisamos de soluções de continuidade”, disse o secretário.

Durante toda a terça, representantes das polícias Civil e Militar, do Instituto de Segurança Pública, da Fiocruz e da Secretaria de Assistência Social vão apresentar novas medidas e discutir objetivos do combate ao crack e do auxílio a pessoas viciadas na droga. O seminário é direcionado a agentes civis e militares, bombeiros e guardas municipais.

“Precisamos dar uma resposta para a sociedade. Não precisa ser uma resposta certa. Se errarmos, vamos corrigir. O desafio é executar. Não adianta recolher pessoas da rua e não dar continuidade ao trabalho”, acrescentou Beltrame.
Crack na Baixada
No dia 16, integrantes da Comissão de Assuntos da Criança, Adolescente e Idoso da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) começaram a visitar alguns municípios da Baixada Fluminense para fazer um levantamento do número de usuários de crack e conhecer as medidas que estão sendo adotadas em programas de prevenção.

Na Baixada Fluminense, as "tribos de cracudos", como são chamados nas ruas, estão espalhados por todos os lugares. Nos acessos das favelas, nos becos, nas ruas ou nas praças de Belford Roxo, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Vilar dos Teles, São Mateus, Nilópolis, Mesquita e outras localidades da região.
"O crack está devastando a vida dos jovens fluminenses. O que a gente vê em Duque de Caxias é um dos exemplos disso. Precisamos fazer uma grande campanha de prevenção", sugere a deputada estadual Claise Maria Zito, ex-secretária de Assistência Social do município e atual presidente da Comissão. 
Cracolândia (Foto: Arte G1)Mapa da Baixada (Foto: Arte G1)
Baixada Bairros crack (Foto: G1)
O aumento no consumo da droga – feita a partir da mistura e queima da pasta base de cocaína com bicarbonato de sódio e amoníaco com água destilada - impressiona até mesmo os profissionais que atuam na área.

"Estamos diante de um aumento vertiginoso de casos de usuários de crack. Sem dúvida, é uma epidemia", afirma o psiquiatra Leonardo Lessa Telles, coordenador do Programa de Saúde Mental da Prefeitura de São João de Meriti, um dos municípios mais populosos da Baixada Fluminense.